Canetas para emagrecer: Ozempic, Wegovy, Mounjaro, Saxenda e novos remédios como Zepbound, entenda diferenças, efeitos e riscos

Canetas para emagrecer: Ozempic, Wegovy, Mounjaro, Saxenda e novos remédios como Zepbound — entenda diferenças, efeitos e riscos

Medicamentos modernos para perda de peso avançam na medicina, mas exigem acompanhamento médico e não substituem mudanças no estilo de vida

As chamadas “canetas para emagrecer” se tornaram um dos temas mais debatidos da medicina nos últimos anos. Popularizadas nas redes sociais, essas medicações injetáveis foram desenvolvidas inicialmente para o tratamento do diabetes tipo 2, mas passaram a ocupar espaço relevante também no tratamento da obesidade.

Apesar do sucesso e da ampla divulgação, especialistas reforçam que não se trata de solução milagrosa. São medicamentos hormonais, com indicação médica específica, possíveis efeitos colaterais e necessidade de acompanhamento contínuo.

Como essas medicações funcionam

Esses medicamentos atuam imitando hormônios intestinais conhecidos como incretinas, principalmente o GLP-1. No caso da tirzepatida, princípio ativo da Mounjaro, há também ação sobre o GIP.

Na prática, eles aumentam a sensação de saciedade, retardam o esvaziamento gástrico e melhoram o controle da glicose no sangue. O resultado é a redução do apetite, menor ingestão calórica e melhora metabólica, favorecendo a perda de peso.

Principais opções disponíveis no Brasil

Saxenda (liraglutida)
Aplicação diária, indicada para controle de peso em pessoas com obesidade ou sobrepeso com comorbidades. Foi uma das primeiras medicações aprovadas com esse objetivo e apresenta perda média de peso mais moderada em comparação às opções mais recentes.

Ozempic (semaglutida)
Aplicação semanal, indicado oficialmente para diabetes tipo 2, mas amplamente conhecido pelo efeito de emagrecimento. Seu uso deve sempre respeitar orientação médica.

Wegovy (semaglutida)
Também de aplicação semanal, é a versão aprovada especificamente para obesidade. Estudos clínicos mostram perda de peso significativa, podendo chegar a cerca de 15% a 20% do peso corporal em protocolos controlados.

Mounjaro (tirzepatida)
Aplicação semanal, com ação em dois hormônios (GLP-1 e GIP). Inicialmente aprovado para diabetes tipo 2, já possui indicação ampliada para controle de peso em adultos com obesidade ou sobrepeso com comorbidades. Estudos demonstram resultados expressivos de emagrecimento.

Diferenças práticas entre elas

As principais diferenças envolvem frequência de aplicação, indicação clínica, intensidade de perda de peso e perfil de tolerância. De forma geral:

  • Saxenda é de uso diário

  • Ozempic, Wegovy e Mounjaro são semanais

  • Wegovy e Saxenda têm foco direto em obesidade

  • Ozempic é indicado para diabetes

  • Mounjaro atua em dois hormônios, o que pode potencializar os resultados

A escolha deve sempre ser individualizada, considerando histórico de saúde, presença de doenças associadas e resposta ao tratamento.

Novos medicamentos: a próxima geração das “canetas para emagrecer”

Além das opções já conhecidas, uma nova geração de medicamentos vem ganhando destaque e promete avançar ainda mais no tratamento da obesidade.

Zepbound (tirzepatida para controle de peso)
O Zepbound é uma versão da tirzepatida voltada especificamente para emagrecimento, diferenciando-se do Mounjaro, que inicialmente foi lançado para diabetes.

Nos Estados Unidos, já é considerado um dos tratamentos mais eficazes disponíveis, com resultados comparáveis ou até superiores aos observados com Wegovy em alguns estudos. A medicação mantém a ação dupla (GLP-1 e GIP), mas com foco direto no controle do peso corporal.

Retatrutida: a promessa de uma nova era no emagrecimento

Outro destaque recente é a retatrutida, medicamento ainda em fase de estudos clínicos avançados.

Diferente das atuais opções, ela atua em três hormônios simultaneamente (GLP-1, GIP e glucagon), sendo conhecida como “triplo agonista”. Estudos iniciais apontam perdas de peso superiores a 20% do peso corporal, com resultados que se aproximam de intervenções mais agressivas, como cirurgia bariátrica.

Apesar do potencial, a retatrutida ainda não está aprovada para uso clínico no Brasil e segue em avaliação quanto à segurança e eficácia a longo prazo.

O que muda com essa nova geração

A evolução dessas medicações indica uma tendência clara na medicina:

  • tratamentos mais potentes

  • atuação em múltiplos mecanismos metabólicos

  • foco também na redução de riscos cardiovasculares

Ao mesmo tempo, especialistas alertam que quanto maior a potência, maior deve ser o cuidado com acompanhamento médico.

Efeitos colaterais mais comuns

Os efeitos adversos mais relatados são gastrointestinais, especialmente:

  • náuseas

  • vômitos

  • diarreia

  • constipação

  • desconforto abdominal

Esses sintomas são mais frequentes no início do tratamento ou durante aumento de dose.

Reações que exigem atenção imediata

Alguns sinais exigem avaliação médica rápida:

  • dor abdominal intensa e persistente

  • sinais de desidratação

  • hipoglicemia em pacientes diabéticos

  • dor no lado direito do abdome (possível cálculo biliar)

  • reações alérgicas graves

A perda rápida de peso também pode aumentar o risco de problemas na vesícula em alguns casos.

Efeitos menos discutidos

Além dos sintomas mais comuns, podem ocorrer:

  • perda de massa muscular sem dieta adequada

  • queda de cabelo associada à perda rápida de peso

  • flacidez facial (“face de Ozempic”)

  • possíveis alterações de humor em casos isolados

O alerta regulatório

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforça que esses medicamentos devem ser utilizados apenas com prescrição médica e acompanhamento adequado. O uso indiscriminado pode trazer riscos e mascarar condições clínicas importantes.

Álcool e as canetas para emagrecer

O consumo de álcool não é totalmente proibido em todos os casos, mas deve ser avaliado individualmente. Ele pode intensificar efeitos colaterais, causar desidratação, interferir no controle glicêmico e dificultar o processo de emagrecimento.

A tirzepatida aumenta a vontade de beber?

Até o momento, não há evidência científica robusta de que a tirzepatida aumente o desejo por álcool. Pelo contrário, estudos preliminares indicam que medicamentos dessa classe podem estar associados à redução do consumo e da compulsão por bebida.

Ainda assim, essas medicações não são aprovadas como tratamento para dependência alcoólica, e essa área segue em investigação.

Reganho de peso após interrupção

Estudos mostram que parte dos pacientes pode recuperar o peso após a suspensão do tratamento, especialmente quando não há mudança consistente no estilo de vida. Isso reforça que o medicamento deve ser parte de um plano mais amplo.

Quem deve usar essas medicações

As diretrizes médicas indicam principalmente para pessoas com obesidade ou com sobrepeso associado a comorbidades, especialmente quando mudanças no estilo de vida não foram suficientes.

O uso com finalidade apenas estética em pessoas com peso normal não é recomendado.

Ozempic, Wegovy, Mounjaro, Saxenda e os novos medicamentos como Zepbound e retatrutida representam uma evolução importante no tratamento da obesidade e das doenças metabólicas. Com base científica sólida, essas terapias vêm transformando a forma como a medicina aborda o emagrecimento, com resultados cada vez mais expressivos.

No entanto, especialistas reforçam que não existe solução isolada. O uso dessas medicações exige prescrição, acompanhamento médico contínuo e deve estar associado a mudanças consistentes no estilo de vida, como alimentação equilibrada, prática de atividade física e cuidado com a saúde mental.

O avanço dessas novas gerações de medicamentos também traz um alerta: quanto maior a eficácia, maior deve ser a responsabilidade no uso. Informação de qualidade, orientação profissional e decisões conscientes são fundamentais para garantir resultados seguros e sustentáveis.

O MT em Alta reforça o compromisso com a informação baseada em evidências científicas e orienta a população a sempre buscar acompanhamento médico antes de iniciar qualquer tratamento.

Fonte: Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Anvisa, estudos clínicos publicados no New England Journal of Medicine, PubMed e diretrizes médicas sobre tratamento da obesidade.

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