Arroba do boi sobe com oferta restrita e exportações de carne bovina seguem aquecidas em março

Arroba do boi sobe com oferta restrita e exportações de carne bovina seguem aquecidas em março

Mercado do boi gordo mantém sustentação nos preços com escalas curtas de abate, enquanto embarques brasileiros de carne bovina registram alta no valor e no volume médio diário.

O mercado do boi gordo encerra a semana com preços firmes em importantes praças pecuárias do país, refletindo um cenário de oferta restrita de animais para abate e dificuldade dos frigoríficos em alongar suas escalas. Em março de 2026, a arroba voltou a ganhar sustentação, enquanto as exportações brasileiras de carne bovina seguem em ritmo forte, reforçando o bom momento do setor.

De acordo com dados de mercado publicados nesta sexta-feira, 20 de março, São Paulo opera na faixa de R$ 355 por arroba no mercado a prazo, enquanto praças como Goiânia aparecem em R$ 340 e Cuiabá em R$ 340, mostrando um ambiente de firmeza, ainda que com oscilações regionais. Em Uberaba, a cotação ficou em R$ 345, e em Dourados, R$ 340.

Além das referências regionais, o Indicador CEPEA/ESALQ para o boi gordo em São Paulo também confirma o viés de valorização: no dia 20 de março de 2026, a média a prazo foi de R$ 354,85 por arroba, após marcar R$ 353,88 no dia 19.

O principal fator por trás dessa sustentação é a baixa disponibilidade de boiadas terminadas, o que limita a capacidade de compra da indústria e mantém as escalas de abate mais apertadas. Segundo o cenário reportado pelo mercado, a média nacional das escalas gira entre cinco e sete dias úteis, um intervalo considerado curto para o padrão do setor e que ajuda a dar suporte aos preços.

No atacado, porém, o movimento é mais cauteloso. Os cortes bovinos não apresentam a mesma intensidade de alta do mercado físico, o que mostra um ambiente de repasse mais limitado ao consumo. O quarto dianteiro permaneceu em R$ 20,50 por quilo, enquanto os cortes do traseiro ficaram em R$ 27 por quilo, sinalizando estabilidade e disputa com proteínas concorrentes, como frango e suíno.

Mesmo com essa acomodação no atacado, o mercado externo continua sendo um dos principais pilares de sustentação da pecuária brasileira. Na parcial dos 10 primeiros dias úteis de março de 2026, as exportações brasileiras de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada somaram US$ 666,888 milhões, com embarque de 115,678 mil toneladas e média diária de 11,567 mil toneladas. O preço médio por tonelada chegou a US$ 5.765, em avanço expressivo sobre o mesmo período do ano passado.

Na comparação com março de 2025, o desempenho mostra alta de 20,1% no valor médio diário exportado, crescimento de 2,1% no volume médio diário e avanço de 17,6% no preço médio da tonelada. Isso indica que, além da demanda externa seguir aquecida, o produto brasileiro também vem sendo negociado em patamar mais valorizado.

Para o produtor, o cenário atual combina fatores positivos, mas ainda exige atenção. A restrição de oferta favorece a arroba, enquanto o mercado internacional ajuda a sustentar as margens do setor exportador. Por outro lado, a volatilidade global, os custos logísticos, a oscilação do petróleo e as incertezas geopolíticas ainda entram no radar e podem interferir no comportamento dos preços nas próximas semanas.

Em Mato Grosso, estado que tem peso estratégico na pecuária nacional, o comportamento do mercado é acompanhado de perto por pecuaristas e frigoríficos. A cotação em Cuiabá, mantida em R$ 340 por arroba, mostra firmeza, mas também revela que a formação de preços continua sensível ao ritmo das escalas, à oferta regional e ao fluxo das exportações.

A tendência, no curto prazo, é de manutenção de um mercado atento à disponibilidade de animais terminados e ao desempenho dos embarques externos. Se a oferta continuar ajustada e a demanda internacional seguir forte, a arroba deve permanecer sustentada, ainda que com movimentos pontuais de volatilidade entre as regiões produtoras. Essa combinação mantém o boi gordo no centro das atenções do agronegócio brasileiro neste fim de primeiro trimestre.

Da Redação MT em Alta

Fontes: CEPEA/ESALQ, Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e dados de mercado repercutidos por Canal Rural.

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