Agro de Mato Grosso enfrenta falta de mão de obra qualificada e amplia oportunidades de emprego

Agro de Mato Grosso enfrenta falta de mão de obra qualificada; operadores de máquinas lideram demanda por profissionais

O agronegócio de Mato Grosso segue como um dos principais motores da economia brasileira, mas um desafio tem chamado a atenção dos produtores rurais: a dificuldade para encontrar profissionais qualificados. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) revelou que a escassez de mão de obra especializada já impacta a rotina das propriedades e evidencia a necessidade de ampliar a capacitação de trabalhadores para atender às demandas do setor.

O levantamento foi apresentado durante o Fórum dos Setores Produtivos, realizado na 58ª Expoagro, em Cuiabá, e ouviu 415 produtores rurais de 87 municípios mato-grossenses. Os dados mostram que 62,62% dos entrevistados enfrentam dificuldades para contratar funcionários, enquanto apenas 4,59% afirmaram não encontrar obstáculos no processo de recrutamento.

Operadores de máquinas agrícolas são os profissionais mais procurados

Entre as funções mais requisitadas pelo mercado, os operadores de máquinas agrícolas aparecem na liderança, refletindo o avanço da mecanização e das tecnologias utilizadas nas lavouras de Mato Grosso.

Segundo a pesquisa, 63,77% dos produtores afirmaram precisar desse tipo de profissional. Em seguida aparecem trabalhadores para serviços gerais, técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos, monitores de pragas e gerentes de fazenda.

O crescimento da agricultura de precisão e da utilização de equipamentos cada vez mais modernos faz com que o setor busque trabalhadores preparados para operar máquinas com tecnologia embarcada, interpretar dados e atuar com eficiência nas operações do campo.

Falta de qualificação é o principal desafio

Para a maioria dos produtores, o maior problema não é a oferta de vagas, mas a ausência de profissionais capacitados.

A pesquisa aponta que 69,16% consideram a falta de qualificação técnica como o principal entrave para a contratação de novos colaboradores. O cenário reforça a importância dos programas de formação profissional para acompanhar a evolução tecnológica do agronegócio.

Outro dado relevante mostra que o emprego rural em Mato Grosso é predominantemente formal. De acordo com o estudo, 96,12% das propriedades utilizam o regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para contratar funcionários permanentes.

Além do salário, muitas empresas rurais oferecem benefícios como alimentação, moradia, transporte, plano de saúde, internet e treinamentos periódicos, fatores que contribuem para a retenção de mão de obra.

Senar MT amplia capacitação para atender demanda do agro

Diante da crescente necessidade de profissionais qualificados, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar MT) vem ampliando a oferta de cursos gratuitos em diversas áreas do agronegócio.

Somente no primeiro semestre de 2026, a instituição realizou mais de 7 mil ações educacionais, alcançando aproximadamente 67,5 mil participantes em todo o estado. Entre elas, mais de dois mil cursos foram voltados especificamente para mecanização agrícola, capacitando milhares de trabalhadores para operar máquinas e equipamentos utilizados nas propriedades rurais.

As capacitações também abrangem gestão rural, pecuária, agricultura, segurança no trabalho, agroindústria e outras áreas estratégicas para fortalecer a competitividade do setor.

Mercado de trabalho continua aquecido no campo

Os resultados da pesquisa mostram que o agronegócio de Mato Grosso continua gerando oportunidades de emprego, principalmente para profissionais que investem em qualificação.

Com propriedades cada vez mais tecnológicas, cresce a procura por trabalhadores preparados para lidar com máquinas agrícolas, sistemas digitais e novas técnicas de produção. Para especialistas, investir em capacitação é um dos caminhos para reduzir o déficit de mão de obra e garantir maior produtividade ao setor.

O estudo também reforça que a aproximação entre produtores, instituições de ensino e programas de formação profissional será fundamental para atender à demanda crescente do maior estado produtor de grãos do país.

Fonte: Sistema Famato e Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
Da Redação MT em Alta | Por Mainna Figueiredo

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