
Os casos de hanseníase em Mato Grosso voltaram a crescer e deixaram o Estado novamente na liderança nacional em taxa de detecção da doença. Um levantamento do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) apontou 4.674 novos registros em 2024, número superior ao ano anterior.
Diante do avanço, o TCE determinou na semana passada que o Governo do Estado e todos os municípios apresentem, em até 30 dias, um plano de ação específico para enfrentar a doença. O documento deverá incluir metas, prazos, responsáveis, orçamento definido e formas de monitoramento. A execução das medidas precisa começar em até 180 dias.
O relator do processo, conselheiro Guilherme Antônio Maluf, alertou para a gravidade da situação. “Os dados evidenciam de forma inequívoca que a hanseníase permanece como um relevante e persistente problema de saúde pública no Estado de Mato Grosso”, afirmou.
Ele também destacou que o cenário exige ações articuladas e contínuas, com base em evidências e planejamento consistente.
No voto, Maluf reforçou a necessidade de integração entre diferentes áreas do poder público: “Eu voto no sentido de submeter o presente levantamento ao plenário para determinar aos prefeitos, juntamente com os secretários municipais de Saúde e Assistência Social do Governo do Estado de Mato Grosso, em conjunto com os secretários de Saúde, Assistência Social e Segurança Pública, no prazo de 30 dias, um plano de ação a ser executado no máximo de 180 dias.”
A orientação acolhida pelo Ministério Público de Contas destaca a importância de políticas públicas estruturadas, que garantam prevenção, diagnóstico precoce, tratamento e acompanhamento dos pacientes. O Tribunal também ressaltou que o controle externo tem papel pedagógico para estimular melhorias na rede de atenção à hanseníase.
Enquanto o plano não é apresentado, vale ressaltar as orientações para detecção e tratamento da doença. A recomendação é que qualquer pessoa com manchas claras ou avermelhadas na pele, acompanhadas de perda de sensibilidade, busque atendimento em uma unidade de saúde.
Principais sintomas
Manchas na pele: Podem ser claras, avermelhadas ou amarronzadas, com limites geralmente imprecisos.
Perda de sensibilidade: Diminuição da capacidade de sentir calor, tato e dor nas áreas com manchas. Isso pode fazer com que a pessoa se machuque ou se queime sem perceber.
Sensações anormais: Formigamento, fisgadas, choque elétrico ou sensação de agulhada ao longo dos nervos dos braços e pernas.
Dormência e fraqueza muscular: Redução da força muscular nas mãos, pés e face devido ao comprometimento dos nervos. Os nervos podem ficar mais espessados e doloridos.
Perda de pelos e suor: Diminuição ou ausência de pelos e suor nas áreas afetadas.
Também é importante ressaltar que o tratamento com poliquimioterapia (PQT) é oferecido gratuitamente pelo SUS e, a partir da primeira dose, o paciente deixa de transmitir a doença.









