O Baguncinha é a prova viva de que a identidade de um povo não se molda em laboratórios de marketing, mas no calor das calçadas. Ele sobreviveu à chegada das multinacionais de fast-food e à gourmetização das hamburguerias, não por ser apenas um alimento, mas por ser um rito de passagem. Se nos anos 2000 ele era o sustento da madrugada, hoje, através de potências como o Chefão, Belato e os históricos trailers da Avenida do CPA, ele é o motor de uma economia que não para.
O reconhecimento como Patrimônio Cultural Imaterial foi apenas a formalização de algo que o cuiabano já sabia: o segredo não está apenas na mistura farta de ingredientes ou no mistério da maionese verde, mas na democracia da mesa de plástico. Nas imediações das casas de show, nos arredores da Arena Pantanal ou no brilho dos letreiros da Prainha, o baguncinha apaga as diferenças sociais. Ali, sob o céu estrelado do cerrado e ao som do movimento das avenidas, todos são iguais diante de um lanche prensado e um guaraná gelado.
Enquanto houver uma chapa acesa em uma esquina de Cuiabá, a cultura da capital estará preservada. O baguncinha é, em última análise, o sabor da resiliência cuiabana: farto, quente, temperado e inesquecível.